quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

As Lições do Petróleo - Howard Marks

Estava lendo o último memo do Howard Marks: Lições do Petróleo. Como sempre, fala menos sobre petróleo e mais sobre psicologia do investidor.

Alguns pontos interessante:


  • Aquilo que "todo mundo" sabe é inútil na melhor hipótese e incorreto na pior.

  • O que realmente deveria nos preocupar são as questões que não consideramos. O preço dos ativos costuma precificar os riscos nos quais as pessoas pensaram. São aqueles que as pessoas não pensaram que causam os estragos.

  • Em 2007 todos sabiam que as empresas de hipoteca e construtoras iriam mal. Mas as pessoas não conseguiram ver que os bancos seriam duramente atingidos antes de 2008.

  • Saída em massa de capitais e a necessidade de liquidez pode levar à necessidade de vender ativos com urgência, mesmo aqueles que nada tem à ver com petróleo.

  • Em economia, as coisas demoram mais para acontecer do que nós pensamos e, depois, acontecem muito mais rápido do que achávamos ser possível.

  • Quando o petróleo estava $110, as pessoas diziam "eu compro se ele chegar em $100". Mas devido ao jeito que a psicologia do investidor funciona, aos $90 ele podiam dizer "se chegar em $70, eu penso seriamente em comprar". Quando chega em $60, a tendência é "é um punhal caindo e não há como saber quando vai parar, por isso eu não compro por preço nenhum".

  • A sensação é muito melhor de comprar um ativo quando ele está subindo. Mas é mais sábio comprá-lo após ele ter caído por um tempo.

  • Pela primeira vez nos últimos 3,5 anos, os eventos nos dizem que é apropriado deixarmos um pouco de lado a cautela e sermos levemente mais agressivos.


Memo na Oaktree Capital 


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Por que o dólar sobe?


Por vários motivos. Dois que são importantes são esses:

1) O dólar está se valorizando no mundo inteiro. 


  • Não é apenas o real que está caindo, na verdade o dólar está subindo em relação à várias moedas. O principal motivo é que a economia americana está crescendo e, em breve, o FED deve subir os juros nos EUA. O Rublo Russo, moeda que mais se desvalorizou frente ao dólar, chegou à perder 60% do valor apenas em 2014.

2) O Brasil não fez Superávit Primário.


  • Superávit é a diferença entre o que o governo arrecada e o que ele gasta. Se o governo arrecadou mais do que gastou, ele teve superávit secundário.
  • Como no Brasil nunca cumprimos isso, criou-se o tal Superávit Primário. Significa que o governo arrecadou mais do que gastou, tirando da conta os gastos com juros. Então o superávit primário é quanto o governo economizou para pagar os juros da dívida (detalhe que isso significa que ele nem ao menos pagou todos os juros).

Se o governo tem déficit primário, significa que ele gastou mais do que arrecadou e não pagou absolutamente nada dos juros da dívida. Terá que fazer um novo empréstimo apenas para poder pagar os juros atrasados.

O Real perde valor porque o governo perdeu credibilidade. Mostramos ao mundo que não somos capazes de administrar as contas públicas. Os credores do Brasil ficam com medo e tiram seu dinheiro daqui.

E é vergonhoso mesmo. Equivale à alguém que lhe deve dinheiro, para pagar os juros da sua dívida ter que ir no banco fazer um novo empréstimo. 






segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

As mais baratas da Bolsa

Uma das estratégias recomendadas para pessoas que não tem muito conhecimento para operar na Bolsa, é comprar as empresas mais baratas medidas pelos índices Preço/Lucro e Valor/Ebitda.

Alguns estrategistas recomendam comprar partes iguais das 20 empresas mais baratas, ou 5% do patrimônio em cada uma delas. Após fazer isso, deixar as ações paradas e só repetir o processo após os 12 meses, vendendo as que tinha e comprando novamente as 20 mais baratas.

Seguem as ações que hoje se enquadram nessas categorias:

Os 10 Menores Preço/Lucro:

  1. Gafisa - 0,9x
  2. JHSF - 3,0x
  3. Haga  - 3,1x
  4. Tecnisa - 3,6x
  5. Positivo - 3,8x
  6. Even - 4,5x
  7. Rodobens - 4,5x
  8. MRV - 4,8x
  9. Helbor - 5,1x
  10. Fertilizantes Hering - 5,3x
Os 10 Menores EV/Ebitda:
  1. Excelsior - 3,05x
  2. Bombril - 3,27x
  3. Estrela - 3,54x
  4. Vale - 3,95x
  5. HRT - 4,22x
  6. Fertilizantes Hering - 5,25x
  7. Randon - 6,89x
  8. Saraiva - 6,74x
  9. Helbor - 6,77x
  10. Rodobens - 6,89x

As Construtoras estão sendo tratadas como lixo tóxico. Acho que o mercado está exagerando, mesmo que as elas ainda tenham 1 ou 2 anos difíceis pela frente.

Algumas adaptações: tirei empresas com valor de mercado irrisório (>100 milhões) e as que não tem liquidez nenhuma.


quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Bolsa e Dólar

Se você perdeu a escalada do Dólar, não fique tão triste.

Lógico que ele pode subir mais, ninguém sabe até onde vai. Contudo, a nossa Bolsa está muito mais barata que a dos EUA.

Enquanto o Preço/Lucro lá está em 26x, aqui está em 10x (isso antes dessa queda de dezembro).



Muitos estão comparando essa crise com a de 1998, quando ocorreu a fuga dos emergentes.

Apenas um dado tal crise:

- Em 1998 a Bolsa da Rússia chegou a cair 90% da máxima atingida;
- Em 1999 ela subiu 150%.


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

SELIC: nada supera essa marca


Atualizando a tabela dos melhores investimentos desde a crise de 2008.

  • Selic segue como Rei, superando Bovespa e S&P 500, com volatilidade próxima a zero. Enquanto nosso país (governo + população) tiver taxa de poupança negativa, não há o que faça os juros baixarem.
  • Nossa Bolsa de Valores ainda não recuperou os valores pré-crise de 2008. Também não parece que vai tão cedo.
  • Não é por nada que o número de investidores na Bolsa só diminui.























segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Dinastia Davis


Será uma piada dos deuses que o ativo mais popular de uma Era irá empobrecer aqueles que o possuem?
 A cada 20 ou 50 anos, o melhor investimento do dia atinge o topo e começa um longo declínio. E o ativo que tinha o pior retorno atinge o fundo e começa uma longa subida.
Esses pontos de reversão deixam um pequeno grupo de não-conformistas muito ricos e empobrece a grande maioria, que continua a colocar seus recursos no vencedor de ontem.


The Davis Dynasty: Fifty Years of Successful Investing on Wall Street



quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Nossa Tese de Investimento


Achei esse texto tão interessante que resolvi traduzir. Segue:

Research Affiliates - Chris Brightman, Jonathan Treussard, Jim Masturzo.


Nossa Tese de Investimento


Imitar o rebanho faz tudo retornar à média — Charlie Munger

Antes de descrever cada uma das nossas teses centrais, vamos começar como o nosso princípio central de investimentos:

A maior e mais persistente oportunidade de investimentos é que, no longo prazo, tudo retorna à média.

De forma simples, comprar ativos que estejam depreciados (e consequentemente rendendo altos dividendos) e ter a convicção de segurar esses ativos/posições, mesmo que por períodos extensos, permite aos investidores obter retornos mais elevados correndo menos risco. O lado ruim é o custo emocional elevado. Esse princípio central é a conclusão das nossas três teses abaixo.

1. As preferências dos investidores vão além de risco e retorno.

A psique humana é rica e complexa e muito difícil de ser capturada num livro de finanças. Sim, os investidores podem medir a proporção risco/retorno. Contudo, nossa experiência mostra que os investidores são afetados pelo desejo de acompanharem o rebanho e o medo de ser considerado um pária. As pessoas também sentem orgulho de possuir ações de empresas bem sucedidas e evitam aquelas que recebem mídia negativa. Nós achamos isso natural ao ser humano, e nossa experiência tem mostrado que esse é o comportamento padrão. Os novos estudos sobre comportamento humano também mostrado que essa é a realidade.

2. Os preços variam ao redor do valor justo.

"No curto prazo o mercado é uma máquina de popularidade, mas no longo prazo é uma balança." - Benjamin Graham

Devido à complexidade e variação das preferências dos investidores, os ativos não tem sempre preços justos. Ao invés disso, os preços podem ficar irracionais por muito tempo. Por dizemos que existe ruído nos preços. Mas nós podemos observar que ruídos levaram os preços dos ativos para onde estão, tornando mais fácil visualizar quais ativos estão caros ou baratos a cada tempo. Ao longo do tempo, esperamos que os ativos voltem à sua média, próximos ao seu valor intrínseco, mesmo com novos ruídos sendo incluídos. Esse retorno à média é o que inclina a balança à favor de comprar na baixa e vender na alta, ou ao menos a vender no preço!

Que suporte podemos dar para essa tese? E qual a magnitude em termos de performance. Na figura abaixo, nós reproduzimos a análise de De Bondt and Thaler’s (1985) sobre retorno futuro de perdedores e vencedores recente, no mercado de ações.

Esse é um dos testes mais diretos sobre ruído e retorno à média. Também mostra resultados expressivos. Escolhendo ações pelo retorno nos últimos 3 anos (e definindo as ganhadores e perdedoras), vemos que na média, o portfólio que compra as perdedoras supera o das vencedoras em quase 25% num período de três anos. Performances deste tamanho não são centavos na frente do caminhão ou apenas notas de 20 na calçada. São retornos consideráveis.


Então com tanta vantagem à mostra e tantas pessoas dedicadas à tentar obter retorno nos mercados financeiros, como podemos acreditar que nós vamos chegar nos melhores ativos antes dos grandes gestores de recursos?

3. Falta de convicção (e/ou regras de legais e de governança) restringe investidores de explorar as situações que geram retornos de longo-prazo.

"... é o investidor de longo prazo, aquele que mais promove o interesse público, que na prática será o mais criticado... Pois a essência do seu comportamento é a de ser excêntrico, não-convencional e imprudente aos olhos da opinião média. Se ele for bem sucedido, isso apenas irá confirmar a opinião quanto sua imprudência; e se tiver prejuízos no curto prazo, ele não receberá misericórdia. A sabedoria mundana diz que é falhar convencionalmente é melhor para a reputação do que ganhar não-convencionalmente" - J.M. Keynes

Pense um pouco sobre essa citação de Keynes e então pergunte a si mesmo: Quando a situação for crítica, quais ativos serão escolhidos por indivíduos, bancos e comitês, ainda mais se suas estratégias diverem desapontado nos últimos anos? Que comitê ou consultor vai arriscar ser visto como não-convencional, imprudente ou excêntrico após ter sofrido alguns anos ruins?

É nossa crença que a falta de convicção dos indivíduos, e como isso se reflete nas instituições controladas por indivíduos, inibe a chance de tirar vantagem dos preços baixos que tem perspectiva de se recuperarem no longo prazo. São essas oportunidades que queremos explorar.

Essas teses nos levam de volta ao princípio inicial: A maior e mais persistente oportunidade de investimento é que, no longo prazo, tudo retorna à média.

“Quem vive de esperança morre em jejum. Não existe ganhos sem sofrimentos.” — Benjamin Franklin

Por isso determinação é tão importante quanto habilidade ou visão. Determinação é crucial na nossa capacidade de obter retornos acima da média ao longo do tempo, através da compra de ativos com preços baixos/alto rendimento e venda de ativos com preços altos/baixo rendimento. Esta decisão permite-nos manter nosso curso e até mesmo rebalancear, aumentando nossa parcela em ativos que continuam a cair de preço. Como se pode imaginar, seria difícil nos amarrar ao mastro sem dispositivos analíticos para suportar nossas crenças de investimento, especialmente um mapa do que o futuro reserva para o cenário de investimentos. Para nós, parte do roteiro é a expectativa de retorno de longo prazo dos mercados e ativos. Estamos disponibilizando isso no nosso website de Alocação de Ativos.

Não é surpresa também que essas expectativas são criadas por nós para informar nosso comportamento dentro de nossas idéias de investimentos, representando nossas previsões para o futuro. Não achamos que o retorno dos mercados nos próximos 10 anos será exatamente aquele que previmos. Ao contrário, não achamos que esse será o caso. Contudo o que estamos prevendo é aquilo que encaramos como mais provável de acontecer. Armados com convicção e alguns dados, acreditamos na nossa habilidade de ajudar os investidores à conseguir a melhor relação risco-retorno no tempo.